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Review de “The Fable of the User-Centred Designer”

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Tipo:
Livro
Título:
The Fable of the User-Centered Designer
Autor:
David Travis
Onde encontrar:
http://www.userfocus.co.uk/fable/

Um livro fofinho para falar de design centrado no usuário. O autor David Travis faz uso de uma narrativa em forma de alegoria. Segundo seu prefácio, resolveu adotar esta linguagem inspirado em  outro livro que ele lera, chamado “The One Minute Manager”.

Ele conta a fábula de um rapaz em busca de um designer capaz de projetar tecnologias complexas e simples de usar, para poder aprender e virar um designer desse tipo ele também.  Este rapaz cruza com todo tipo de designer: de interação, de produto, visual, arquiteto da informação, toda a gama de nomes que sabemos que um designer pode ter ;). Porém nenhum deles o satisfez, pois pareciam mais preocupados com seu ego, em ter criado belas interfaces, projetos descritos como estado-da-arte da tecnologia, mas que nem sempre seus usuários tinham a mesma visão (ou experiência).

Até que um dia ele entrou em contato com o tal do “special designer”, que ficou feliz em poder compartilhar seus conhecimentos. Este explicou que o “visual do design” é apenas parte da  experiência com uma tecnologia, e que o uso das últimas inovações é apenas parte de uma solução. E aí a fábula fica com mais cara de fábula ainda, pois começam a ser revelados os SEGREDOS DO DESIGN CENTRADO NO USUÁRIO (entra a musiquinha de fundo).

O primeiro segredo: foco precoce e contínuo no USUÁRIO e em suas TAREFAS. Design com uma abordagem em PERSONAS, e principalmente, personas baseadas em resultados de pesquisas. As pesquisas podem ser visitas regulares aos clientes que ajudariam a entender:

  • As motivações do usuário: para então criar as personas;
  • O contexto que as pessoas usam o seu produto;
  • Definir as “red routes”.

O que o autor chama de red routes, são as tarefas críticas que as pessoas querem realizar, e que precisam ser completadas da forma mais simples e rápida possível. São as jornadas do usuário críticas para o produto. Por mais que um usuário possa completar várias tarefas no nosso produto, algumas dessas tarefas são mais importantes que outras.  Focando nessas tarefas mais importantes, podemos nos certificar de que funções menos importantes não estão desordenando a interface.

O bom designer deve saber tomar decisões. É praticamente impossível tornar todas as tarefas fáceis, é preciso priorizar o que é importante. E a pesquisa com o usuário ajuda a entender se estamos seguindo as metas que realmente interessam.

O segundo segredo: medição empírica do comportamento do usuário.

É preciso analisar o uso do produto, tendo em mente que nem sempre as pessoas sabem como esse produto pode se comportar. Uma forma de se analisar é  recolher feedback dos usuários para entender o que está e o que não está funcionando.

O livro sugere que se pegue as tais Red Routes, as tarefas mais críticas do produto, e peça para o usuário executá-las. As pessoas costumam pensar em voz alta, então é possível pegar as partes da interface que estão mais confusas.

Esse seria o teste da usabilidade do produto através da:

  • Eficácia (quantidade de pessoas que conseguem completar a tarefa);
  • Eficiência (quanto tempo as pessoas levam para completar a tarefa);
  • Satisfação (como as pessoas se sentem em relação ao design).

O terceiro segredo: Design iterativo. Economizar tempo nos testes usando protótipos de baixa fidelidade, como protótipos de papel. O segredo de um bom design é rascunhar váááárias soluções e testá-las. Escolher as melhores opções de cada solução e criar um no conjunto, e testar novamente. Segundo o autor, protótipos de papel ajudam e entender se a arquitetura da informação está correta: se é fácil de navegar, entender as terminologias dos labels, etc. Depois pode-se evoluir para protótipos eletrônicos, que por possuírem um visual mais realístico, ajudam a corrigir o design visual do produto.

Pronto, agora que já foram revelados todos os três segredos, o autor começa a ponderar sobre como algumas empresas se dizem centradas no usuário, mas que se formos perguntar aos seus clientes, estes podem não estar de acordo com essa afirmação. Que para fazer tal afirmação, é preciso focar no usuário, entender suas tarefas, fazer isso o mais cedo possível e continuamente. Poucas empresas investem em pesquisas pois acham que sabem o que é melhor para o seu usuário baseados na opinião de um ou outro funcionário que tiveram contato alguma vez com um cliente.

Outra ponderação é sobre como as decisões de design são tomadas. Ele criou um acrônimo divertidinho pro terror que todo designer já deve ter passado: HIPPO (highest paid person opinion). Para evitar isso, prototipar e testar iterativamente são atividades muito importantes no processo de design.

Nem sempre temos tempo para testar cada alteração feita em uma interface, faz parte da gestão de risco, envolver o usuário quando importantes decisões de design devem ser tomadas.  Outra técnica que é sugerida é a opinião de expert (expert review): um especialista em usabilidade examina a interface e compara com princípios estabelecidos de design. Ao invés de se pedir para um usuário avaliar a interface, o especialista tenta “entrar na mente” do usuário. É considerada uma técnica viável, mas que de forma alguma substitui testes com o usuário.

E a fábula termina com um final feliz: depois de aprender tudo isso, o rapaz começa a trabalhar com um dos mestres design que ele encontrou pelas suas andanças. Sempre com o cuidado de seguir os três segredos do design centrado no usuário. E com os anos de experiência que foi ganhando no ofício do design, ele também aprende que todo conhecimento deve ser compartilhado com os outros. Por isso estou aqui, escrevendo meu primeiro review de leitura sobre design 😀

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